Gestarmauriti's Blog

Relatório do filme: Narradores de JavéAluna: Maria Alice Tavares Leite | junho 22, 2010

Narradores de Javé

Observamos logo no início que os nomes de todos que participam do filme, aparecem escritos em letras menores, enquanto que a vírgula, o ponto, dois pontos, apóstrofos, aspas, asteriscos, reticências, são apresentados em ênfase e com uma melodia que faz bem aos nossos sentidos.

Percebemos que o jovem que ora corre em horário diurno, ora chega ao destino à noite e embora não tenha chegado a tempo de entrar no barco para seguir viagem, fica com outros homens a escutar a história do povoado de Javé. Logo nessa cena, vemos uma anciã com um livro aberto praticando leitura.

O povoado de Javé viveu uma dolorosa experiência, e como estavam prestes a desaparecer sob as águas de uma grande hidrelétrica, precisavam urgentemente elaborar um documento com os feitos heróicos do lugar para apresentarem as autoridades. Dessa forma, aquele povo que embora possuíssem uma linguagem cheia de dialetos, não possuíam o domínio da escrita, o que fazia com que eles não tendo outra saída, permitissem que o antigo carteiro, conhecido por Antonio de Biá, fosse o responsável por essa escrita cientifica. Biá, que outrora salvou seu emprego as custas das histórias do povo Javélico, agora recebera o maior ofício de sua carreira: escutar as histórias das pessoas mais velhas do lugar e escreve-las no livro.

Cada pessoa conta a seu modo como surgiu Javé e seu Biá rabisca em alguns momentos as páginas do grande livro. Mostra claramente a pobreza daquela gente, mas que carregam dentro de si a esperança de permanecerem naquelas terras que foram cantadas pelo fundador Indalécio ou por Dina mulher guerreira.

Os moradores esperavam que essa tentativa pudesse salvar o vilarejo, porém, o tempo passa e seu Biá não consegue  redigir nenhum feito histórico dos habitantes daquela localidade. Aos poucos eles começam a sair de suas casas em busca de novas terras para morar. O único transporte da cidade é cheio com as coisas mais valiosas da comunidade e o sino da Igreja também é levado por eles. Seu Biá aproxima-se, contempla a torre da igreja sendo coberta pelas águas, abraça o livro e chora amargamente. Em seguida, senta-se em um barco, abre o caderno de registros e começa a representar por sinais gráficos tudo que ouvira e vira naqueles nobres habitantes de Javé.

Assim, os narradores de Javé, conseguem registrar seus feitos heróicos, não mais para salvar a cidade, pois já estava inundada, mas para que fosse valorizada através da escrita a luta e a vida cotidiana desses heróis.

Percebemos o quanto é valioso o tesouro da escrita e da leitura. Um povo letrado tem mais facilidade de questionar e defender seus direitos diante dos acontecimentos da própria vida. O filme é o retrato do que acontece em muitos lugares por causa do progresso  e em nome dele, muitos são penalizados.

Precisamos correr contra o tempo e ensinarmos nossos alunos não apenas o código escrito como também a compreensão do mesmo  ou seja, a interpretação do que foi lido.

Praticar a leitura e interpreta-la, deve ser um hábito constante e inerente a todo ser humano, pois é viajar o mundo sem sair de casa.

E nessa corrida, caminha o atleta que tem disposição em guardar o maior tesouro que ninguém pode tirar: o conhecimento.

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