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Relatório do Programa Gestão da Aprendizagem Escolar sobre o documentário – línguas: vidas em português-Maria Alice Tavares Leite | junho 22, 2010

“Não há língua portuguesa”.

“Há línguas em português”. (Saramago)

O prefácio traz de forma marcante, escrito e falado as frases dos depoentes sobre a língua portuguesa, e uma  vai se sobrepondo a outra. Eis os falares:

“Não há língua portuguesa. Há línguas em português”.

“E se tornou uma língua muito diversa”.

“Nossa terra, linda terra, é filha de Portugal”.

“Falamos a mesma língua, mas ela não é falada da mesma maneira”.

“O que faz a memória é a palavra, a conversa familiar”.

“É a única forma de comunicação aqui”.

“A cultura que passa de boca em boca”.

“A língua portuguesa é o sítio onde…”.

“Falar português é lembrar da sua terra natal. Acho que o mais importante é isso, não esquecer nossa própria língua”.

“Várias culturas: Ásia, África, Europa”.

“No fundo não se está a viajar do ponto de vista geográfico…”.

“… mas está-se a viajar por pessoas”.

“Toda noite, 200 (duzentos) milhões de pessoas sonham em português. Estas são algumas delas”.

A sinopse do documentário descreve que se trata de histórias da língua portuguesa e sua permanência entre culturas variadas do planeta, mostrando o cotidiano de personagens ilustres e anônimos de quatro continentes. Em cada um deles, a língua portuguesa juntou deuses, melodias, climas, ritmos. Misturou-se aos alimentos e às paisagens. Foi reinventada centenas de vezes e alimentada por levas sucessivas de colonizadores, imigrante e descendentes.

Quanto ao diretor, seu nome, Victor Lopes, nasceu em Moçambique, de nacionalidade portuguesa e reside no Brasil. A origem desse documentário surgiu nos anos noventa quando ele viajava para Lisboa. Imaginou como fio condutor a língua acendendo e apagando em todo o mundo, ela sendo transmitida de um país para outro. Daí, pensou ter como personagens desde pessoas renomadas como José Saramago, Mia Couto, João Ubaldo Ribeiro, Martinho da Vila e outros que não são conhecidos, mas que utilizam a língua portuguesa, pois isso é que faz a língua caminhar entre uma comunidade. Ele comenta que o latim morreu porque passou a ser usado apenas pela igreja e pelo estado, enquanto que o chamado latim vulgar falado nas ruas desdobrou depois para as línguas românticas (Italiano, Espanhol, Português, Francês e o Romeno). O português possui sotaques diferentes nos lugares em que ela é a língua nativa, só no Brasil, existem diversos falares, por isso é uma língua aberta, permeável.

Já o francês é falado do mesmo jeito em qualquer lugar.

Ele Considera o processo da pesquisa fascinante, pois é entrar na vida do outro.

Esse filme informativo traz dados importantes como a quantidade de pessoas que falam a língua portuguesa em:

Moçambique – 8 (oito) milhões – (Continente Africano);

Japão – 300 (trezentos) mil – (Continente Asiático);

Brasil – 170 (cento e setenta) milhões – (Continente Americano);

Goa – 60 (sessenta) mil – (Continente Asiático).

A partir do pensamento do diretor em fazer essa viagem pelos quatro continentes, e viver a emoção da fala em regiões que utilizam a língua portuguesa mostrando seus diversos sotaques, ele mostra os personagens de um país, depois vai para outro, segue e volta para o primeiro, ou seja, não se prende totalmente e de uma única vez a uma determinada comunidade, cidade ou país.

Em Goa, Índia, vemos Rosário Macário, mostrando o pão feito na brasa. Ele fala português e inglês.

Em Inhaca, Mia Couto (escritor), fala que o português passou a ser gerido por outras culturas, o pai é Portugal, e o filho ficou sem dono, por isso a mestiçagem.

Em Lisboa, Portugal, José Saramago, comenta que quanto mais palavras conhecermos, mais fácil ficará para expressar nosso pensamento. Ele se reporta aos históricos primitivos, pois foi a partir daí que a linguagem foi sendo criada.

No Rio de Janeiro, Brasil, encontramos um típico vendedor ambulante, o Marcio, sobrevivente de uma chacina, que entra no ônibus para oferecer seus produtos e à noite volta pelo mesmo percurso sendo um anunciador do evangelho.

Em Beira, Grande Hotel, um cortiço com 6 (seis) mil pessoas dentro. Um jovem, Dino, trabalha para sustentar a família, seu pai é o filho e ele é o pai, o responsável pela família. Não estuda, sonha morar nos Estados Unidos. Comenta que será pai em breve e lamenta ter plantado uma semente sem ter água para regá-la.

Inhaca é uma ilha situada à entrada da baia de Maputo, no sul de Moçambique. Mia Couto fala desses dois mundos separados apenas por uma distância de 30 km, quando alguém sai da ilha, eles fazem uma espécie de cerimônia de despedida. Existem outros saberes na cultura africana que desejo conhecer, diz o escritor.

Duas Barras, Brasil, Martinho da Vila, expressando seu pensamento fala que o que faz a memória é a palavra.

Bukisso, possui vários tipos de guerra, não mostra nenhuma imagem, apenas a voz da professora e os alunos repetindo a mesma.

Como diz Mia Couto, não só viajamos no espaço geográfico, quando pesquisamos, viajamos por pessoas. E é isso que acontece nesse documentário.

Observamos que a Lusofonia é o foco principal desse filme informativo, embora não tenha contemplado de forma mais direta todos os lugares onde o português é a língua oficial, que hoje são eles: Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e desde 13 de julho de 2007, na Guiné Equatorial, sendo também falada nos antigos territórios da Índia Portuguesa (Goa, Damião, Ilha de Angrediva, Simbor, Gogolá, Diu e Dadrá e Najar-Aveli) e em pequenas comunidades que fazem parte do império Português na Ásia com Malaca, na Malásia e na áfrica Ocidental como Zanzibar, na Tanzânia, mas percebemos claramente como o português sofreu uma evolução histórica sendo influenciado por vários idiomas e dialetos, até chegar ao estagio conhecido atualmente.

A língua portuguesa é romântica nos países lusófonos, portanto aberta. Esse idioma se espalhou pelo mundo nos séculos XV e XVI quando Portugal estabeleceu um império colonial e comercial (1415 – 1999) que se estendeu no Brasil, nas Américas, a Goa, e outras partes da Índia, Macau na China e Timor-Leste. Ela possui mais de 260 (duzentos e sessenta) milhões de falantes e, como língua nativa, é a quinta mais falada no mundo, a mais falada no hemisfério sul, a terceira mais falada no mundo ocidental e das que usam o alfabeto latino.

Fazendo um comparativo com o TP1, linguagem e cultura, mais precisamente com a unidade 1, variantes linguisticas: dialetos e registros, observamos que o filme contempla essa realidade, ou seja, mostra diversos falares do português em vários lugares do mundo. Por isso, mesmo a língua tendo suas regularidades, é um sistema aberto, oferece inúmeras possibilidades de variação do uso, que são criadas junto com o contexto e as interações feitas nas diversas comunidades. Assim, do ponto de vista sociocultural, temos o dialeto culto e o popular. O dialeto culto define a norma culta. Os principais dialetos são: o etário, geográfico, gênero, social e profissional.

Consequentemente o documentário irá contribuir com o estudo desse TP.

Comparando com outras leituras, por exemplo, Marcos Bagno, o preconceito linguistico, o documentário apenas se deteve à cidade do Rio de Janeiro, embora o diretor tenha justificado em sua fala que no Brasil há diversos sotaques do português, senti falta de outras regiões que poderiam ter sido contempladas nesse filme. Até porque, o português hoje compreende vários dialetos e subdialetos, falares e subfalares, muitas vezes bastantes distintos, além de dois padrões reconhecidos internacionalmente: o português brasileiro e o português europeu.

Terminamos com a citação do Artigo primeiro da declaração dos direitos humanos: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

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