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SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO GESTAR II – PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR INTERTEXTUALIDADE | junho 30, 2010

OBJETIVOS DA AULA:
Levar o aluno a entender nesta sequência didática a intertextualidade, a reconhecer que
textos de diferentes autores tem elementos comuns entre si. Dentre esses, destacamos:
formação ideológica e discursiva, seleção de temas, seleção de vocabulário e de
estruturas linguísticas.
DURAÇÃO DAS ATIVIDADES – Aproximadamente cinco aulas de 50 minutos.
ESTRATÉGIAS E RECURSOS DA AULA
ATIVIDADE I
Para introduzir as primeiras idéias sobre a intertextualidade, trabalhei com os alunos as
imagens a seguir, baseadas no quadro de Leonardo da Vinci – A Monalisa. Perguntei a
turma o que significa cada uma delas, quando comparadas à pintura original. Gerou um
clima de descontração onde dupla eles tiveram a oportunidade de modificar e recriar
desenhos produzidos pelos colegas, compreendendo assim a intertextualidade.
ATIVIDADE II
Para o desenvolvimento desta atividade, apresentei aos alunos três textos, disponíveis a
seguir. O primeiro deles é a fábula A Cigarra e a Formiga, por La Fontaine. O segundo,
uma versão dessa fábula escrita por Monteiro Lobato, em 1922. E o terceiro texto,
por fim, é outra versão dessa fábula, do escritor Millôr Fernandes, escrita em 2009 e
publicada pela revista Veja.
Pedi a leitura dos textos. Logo após cada texto, fizemos o comentário para uma melhor
compreensão e lancei o desafio fazendo perguntas antes mesmo de passarem para a
leitura do texto seguinte. Discutimos as respostas dadas por eles
TEXTO I
A Cigarra e a Formiga
Tendo a cigarra cantada durante o verão,
Apavorou-se com o frio da próxima estação.
Sem mosca ou verme para se alimentar,
Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha,
pedindo-lhe alguns grãos para aguentar
Até vir uma época mais quentinha!
– “Eu lhe pagarei”, disse ela,
– “Antes do verão, palavra de animal,
Os juros e também o capital.”
A formiga não gosta de emprestar,
É esse um de seus defeitos.
“O que você fazia no calor de outrora?”
Perguntou-lhe ela com certa esperteza.
– “Noite e dia, eu cantava no meu posto,
Sem querer dar-lhe desgosto.”
– “Você cantava? Que beleza!
Pois, então, dance agora!”
(Fábula de Esopo, por La Fontaine)
TEXTO II
A Cigarra e a Formiga (A Formiga Boa – Monteiro Lobato)
Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava
quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de
abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas . Os animais todos, arrepiados,
passavam o dia cochilando nas tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros,
deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique,
tique, tique…
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.
– Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
– Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu…
A formiga olhou-a de alto a baixo.
– E que fez durante o bom tempo que não construiu a sua casa?
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.
– Eu cantava, bem sabe…
– Ah!.. . Exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nessa árvore
enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?
– Isso mesmo, era eu…
Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos
proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que
felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa
durante todo o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.
Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994.
TEXTO III
A CIGARRA E A FORMIGA (2009)
Millôr Fernandes
Cantava a Cigarra
Em dós sustenidos
Quando ouviu os gemidos
Da Formiga,
Que, bufando e suando,
Ali, num atalho,
Com gestos precisos
Empurrava o trabalho:
Folhas mortas, insetos vivos.
Ao ver a Cigarra
Assim, festiva,
A Formiga perdeu a esportiva:
“Canta, canta, salafrária,
E não cuida da espiral inflacionária!
No inverno,
Quando aumentar a recessão maldita,
Você, faminta e aflita,
Cansada, suja, humilde, morta,
Virá pechinchar à minha porta.
E, na hora em que subirem
As tarifas energéticas,
Verá que minhas palavras eram proféticas.
Aí, acabado o verão,
Lá em cima o preço do feijão,
Você apelará pra formiguinha.
Mas eu estarei na minha
E não te darei sequer
Uma tragada de fumaça!”
Ouvindo a ameaça,
A Cigarra riu, superior,
E disse com seu ar provocador:
“Você está por fora,
Ultrapassada sofredora.
Hoje eu sou em videocassete
Uma reprodutora!
Chegado o inverno,
Continuarei cantando
– sem ir lá –
No Rio,
São Paulo
Ou Ceará.
Rica!
E você continuará aqui
Comendo bolo de titica.
O que você gan ha num ano
Eu ganho num instante
Cantando a Coca,
O sabãozão gigante,
O edifício novo
E o des odorante.
E pos so viver com calma
Pois canto só pra multinacionalma”.
(Fonte: Revista Veja , 08/07/2009, edição 2120)
Pedi a leitura dos textos. Logo após cada texto, fizemos o comentário para uma melhor
compreensão e lancei o desafio fazendo perguntas antes mesmo de passarem para a
leitura do texto seguinte. Discutimos as respostas dadas por eles.
O texto tem como personagens uma cigarra e uma formiga, como o próprio título
sinaliza. De acordo com o desenrolar da narrativa, é possível identificar características
comportamentais de cada uma dessas personagens. Explicite essas características:
A fábula apresentada tem a seguinte moral: “Os que não pensam no dia de amanhã
pagam sempre um alto preço por sua imprevidência.” Você concorda com essa moral?
Justifique.
O texto de Monteiro Lobato tem relação direta com a fábula lida anteriormente. Que
características esses dois textos possuem em comum, tendo em vista o enredo de cada
um deles?
Apesar de possuir características comuns em relação à fábula, o enredo do texto de
Monteiro Lobato apresenta algumas modificações.
Que modificações são essas?
A moral da fábula aplica-se ao texto de Monteiro Lobato? Por quê?
. O texto de Millôr Fernandes também trata de uma cigarra e de uma formiga. Descreva
o perfil das personagens segundo esse texto.
Explique o que você entendeu do seguinte trecho:
“O que você ganha num ano
Eu ganho num instante
Cantando a Coca,
O sabãozão gigante,
O edifício novo
E o desodorante.
E posso viver com calma
Pois canto só pra multinacionalma”.
9) Analisando as duas relações: da formiga com o trabalho, e da cigarra com a música,
responda: que modificações o texto de Millôr Fernandes trouxe ao enredo da história,
quando o comparamos aos dois textos anteriores?
Após discutir as questões propostas, a conclusão foi dirigida de forma que os alunos
apreendam o sentido dado ao conceito de intertextualidade. Acerca disso, apresentei
algumas diretrizes:
Você pôde observar que os três textos tratam de um mesmo tema e têm uma narrativa
semelhante. Os dois últimos texto se baseiam no primeiro, a antiga fábula A Cigarra
e a Formiga. Logo, esses textos dialogam entre si, mesmo que um autor tenha
uma perspectiva diferente da do outro. A esse diálogo entre textos chamamos de
intertextualidade. Ela está presente em nossa língua a todo o momento, uma vez que
nem tudo o que falamos ou o que escrevemos é original. Além disso, os textos que
produzimos circulam socialmente, podendo modificar-se com o tempo, de acordo com
nossas idéias, nossa visão de mundo, nossas intenções.
Nesse momento, o professor deve solicitar aos alunos que indiquem outros textos
em que percebem relação de intertextualidade. Como exemplos, podem ser feitas
referências a letras de música, a propagandas, a artigos de opinião, etc.
AVALIAÇÃO
Com o objetivo de incentivar a prática de escrita dos alunos, apresentamos mais uma
fábula, a seguir, e sugeri, que os alunos escrevessem individualmente uma versão
diferente para ela, assim como Monteiro Lobato e Millôr Fernandes fizeram com
a fábula A Cigarra e a Formiga. É importante observar que a moral, fruto de uma
ideologia particular, possa ser alterada de acordo com a visão de mundo do aluno.
TEXTO IV
A Leiteira e o Balde
Uma leiteira ia a caminho do mercado.
Na cabeça, levava um grande balde de leite.
Enquanto andava, ia pensando no dinheiro que ganharia com a venda do leite:
“Comprarei umas galinhas. As galinhas botarão ovos todos os dias. Venderei os ovos a
bom preço. Com o dinheiro dos ovos, comprarei um vestido e um chapéu novo. De que
cor?…
Verde, tudo verde, que é a cor que me assenta bem.
Irei ao mercado com o vestido novo. Os rapazes me admirarão, me dirão galanteios e eu
sacudirei a cabeça… assim!…”
…e sacudiu a cabeça. O balde caiu no chão e o leite todo espalhou-se. A leiteira voltou
com o balde vazio…
Como critério de avaliação, observei a coerência e a originalidade nos textos
produzidos.

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